domingo, 17 de fevereiro de 2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Com descoberta de Colombo, tudo se complicou. Embora se julgasse que as mesmas pertenciam a Portugal, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, a pretexto de terem sido eles os armadores da expedição, recorreram ao Papa Alexandre VI (o aragonês Rodrigo Bórgia) para que este lhes reconhecesse, como árbitro, essa posse, desenvolvendo nesse sentido grande atividade diplomática. Apressadamente o Papa, pela bula Inter Coetera II, marcou uma linha divisória de Pólo a Pólo, que passaria 100 léguas a ocidente da ilha mais ocidental dos Açores ou de Cabo Verde (certamente por sugestão de Colombo); a parte oriental ficaria para Portugal e a ocidental para Castela. D. João II recusou a decisão e projetou logo tratar diretamente do assunto com os Reis Católicos.
Também o tratado não dizia qual a ilha que deveria servir de ponto de referência para começar a contar as 370 léguas nem se as mesmas eram contadas ao longo do equador ou ao longo dum paralelo médio de Cabo Verde, isto é, cerca de 16º norte e estas questões tinham uma importância relevante na localização do referido meridiano. Notar também que se trata duma légua antiga, que teria cerca de 6600 de extensão.
Com os
dados de que dispomos atualmente e tomando como referência a ilha mais
ocidental de Cabo Verde, o meridiano de Tordesilhas passa, em território
brasileiro, por Belém do Pará e por Laguna,
em Santa Catarina. Nestas condições, a superfície do Brasil teria sido três
vezes menor do que a atual se se tivesse em consideração o Tratado de
Tordesilhas. Assim, a Colónia do Sacramento era, à data do conflito,
nitidamente em território espanhol. segunda-feira, 30 de julho de 2012
DISCOS VOADORES
Discos voadores: duas palavras que, separadamente, têm o seu significado próprio, e que juntas se plicam a algo cuja natureza é muito discutível. Um disco voador ou objeto voador não identificado, mais conhecido pela sua sigla OVNI, é um objeto que tem a forma de um elipsoide de revolução muito achatado, por vezes com um bojo central na parte superior, e, eventualmente, com três ou quatro patas. É assim o disco voador convencional. A sua cor é prateada e, por vezes, sobretudo de noite, com cintilações de várias cores, vermelho, verde, etc.
O seu comportamento é extraordinário, aparece de maneira súbita no céu, desloca-se a velocidade extremas, até cerca de 10 000 km/h, sem se notar a resistência do ar, nem produzir ruido e menos ainda o «bang» ao ultrapassar a barreira da velocidade do som. Em algumas ocasiões, mudam de direção até 90º de forma instantânea, param repentinamente e retomam a marcha igualmente, sobem e descem com a mesma rapidez. Em muitas ocasiões, têm produzido efeitos eletromagnéticos extraordinários, como motores de automóveis que deixam de trabalhar e recetores de que deixam de funcionar ao passar nas proximidades de um ovni. Outra manifestação extraordinária é a aterragem. Segundo algumas descrições, raramente deixam pegadas no solo, já foram vistas algumas pessoas, contando-se até casos de algumas vacas deixarem de produzir leite durante várias semanas após uma aterragem nas proximidades. Todas estas maravilhas e outras parecidas recordam os contos de fadas e de animais que falam, com que se divertem as crianças. Um comportamento tão fora do normal não se pode ser atribuído a artefactos de natureza humana.
A conclusão é óbvia: os ovnis devem ter proveniência extraterrestre, os seus tripulantes vêm de mundos muito mais adiantados do que nós, e a resistência de tais gentes talvez se deva a serem constituídos à base de silício, em vez de carbono, que é o fundamento da vida vegetal e animal na Terra. Tal suposição deriva de tanto o átomo de carbono como o de silício permitirem a formação de grandes moléculas ou em cadeia. Mas com o silício obtêm-se as pedras e as rochas, de maior estabilidade à temperatura a que ocorrem as reações químicas que constituem a vida à base de carbono que conhecemos.
A ciência (?) que estuda os discos voadores chama-se Ufologia, vocábulo derivado de ufo, iniciais da palavra inglesa unidentified flying objects (objetos voadores não identificados). Não é uma ciência de experimentação, mas de observação. Os estudiosos dos ovnis não podem provocar o fenómeno e é fatal que não observem nenhum. Têm de limitar o seu trabalho a interrogar as pessoas que afirmam tê-los visto. Isso tem dois inconvenientes. Em primeiro lugar, o observador casual, em geral, desconhece astronomia, astronáutica, geofísica, meteorologia, etc., e considera como ovni os bólides, o planeta Vénus, os satélites artificiais reentrados na atmosfera, os globos sonda, etc. Se conhecesse aquelas ciências, não consideraria estes fenómenos como ovnis. Em segundo lugar, a pouca fiabilidade de um único testemunho. Em direito romano dir-se-ia testem unum, testem nullum (testemunho único, testemunho nulo), como recordam os juízes. Não trataremos das aterragens e outras maravilhas, que se enquadram melhor no domínio da psiquiatria.
Não é credível que venham de outros planetas do Sistema Solar. Mercúrio sem atmosfera e a elevada temperatura; Vénus, com atmosfera de anidrido carbónico e 400 ºC ou mais de temperatura; os asteroides, cuja pequena massa não lhe permite ter atmosfera; Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno com atmosferas redutoras (metano, amoníaco, hidrogénio) e baixas temperaturas (‒135 ºC ou menores); e Plutão, a ‒200 ºC, não podem albergar qualquer tipo de vida. Talvez Marte escape à exceção, pois possui uma pequena atmosfera e com temperaturas da ordem dos ‒90 ºC, permitir-lhe-á possuir algum tipo de vegetação rudimentar, como musgos e líquenes.
Se os ovnis não vêm de outros planetas do Sistema Solar, devem provir de planetas de estrelas próximas, que tenham o espectro semelhante ao do Sol. São: ε Eridani, a 10,8 anos-luz de distância e espectro F2, e ε Ceti, a 11,8 anos-luz e espectro G4. O do Sol é G2. Estes tipos espectrais correspondem a estrelas de vida longa, que permite assegurar uma evolução orgânica aos seus planetas.
Põe-se, no entanto, o problema da viagem. A estrela mais próxima de nós, α Centauri, encontra-se a uma distância de 4,3 anos-luz, isto é, a sua luz demora 4,3 anos a chegar até nós (velocidade da luz: 300 000 km/s). Se imaginarmos ser possível imprimir a uma nave uma velocidade da ordem de um décimo da velocidade da luz, o que é materialmente impossível, uma viagem, num só sentido, demoraria 43 anos terrestres. Para as estrelas indicadas, seria da ordem dos 150 anos.
Mas, como em ciência de ficção, aos tripulantes dos ovnis nada é impossível. Estão tão adiantados que os seus veículos talvez possam ultrapassar a velocidade da luz, viajarem em estado de hibernação, etc. Pena é que tão grande saber apenas seja usado para vir explorar o nosso pequeno mundo e regressem a seus lares sem deixar qualquer notícia. Na realidade, apenas servem para espalhar a confusão na cabeça dos leitores dos numerosos livros que sobre o tema se publicam.
Talvez o fenómeno das miragens nos passa dar também alguma ajuda. Uma miragem é um fenómeno ótico , que ocorre em dias de muito calor, principalmente nas estradas em paisagens desérticas ou no alto mar, que altera duma maneira bastante intensa o aspeto das paisagens. Todos estaremos ainda lembrados da onda gigante que em Agosto de 1999 ameaçou invadir as praias de Vila Moura e Quarteira e que foram mandadas evacuar pelas autoridades militares numa confusão sem precedentes. Tratava-se de uma miragem provocada por uma onda de calor proveniente do norte de África.
Se avançarmos mais um pouco e pensarmos nas trovoadas? Sabemos que o intenso campo magnético desenvolvido pelos raios delas provenientes são suficientes para parar o motor de um automóvel ou provocar perturbações nas transmissões via rádio e desenvolver o fenómeno fading. Não se trata de ovnis.
E se introduzirmos agora a geofísica e os intensos campos eletromagnéticos desenvolvidos pela atividade solar em volta da Terra, principalmente nos períodos de máxima atividade. É aqui que devemos procurar explicar os casos ocorridos com as aeronaves ao analisar os intensos campos magnéticos que se criam à sua volta. Feito isto, talvez teremos desvendado quase todos os casos até agora inexplicáveis. As estatísticas indicam haver apenas uma percentagem residual que ainda não têm explicação (menos de 4%). É necessário que os cientistas dediquem algum do seu precioso tempo a fazer conferências sobre este tema, diminuindo assim a ignorância que infelizmente se instalou nalgumas mentes.
Finalmente, vou abordar alguns exemplos, os dois primeiros passados comigo e o terceiro passado com o General da Força Aérea Lemos Ferreira, ao tempo Capitão.
1.º caso. Pouco depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, algumas forças militares foram destacadas para dar apoio às populações. Destaco o caso de uma companhia de Engenharia encarregada de construir ou reparar algumas estradas municipais nos arredores de Lisboa. Os militares estavam acampados na zona das obras e todos os dias, ao cair da noite, pairava sobre o acampamento um corpo muito brilhante, que os militares pensavam ser algum objeto enviado pelo inimigo para os espiar. Um oficial ali destacado, que me conhecia desde a infância, procurou-me para ver se eu tinha alguma explicação para o fenómeno. Analisada a questão in loco, conclui ser o planeta Vénus, que à data estava muito brilhante. Aliás, este planeta é responsável por uma grande quantidade de ovnis.
2.º caso. Num determinado dia de Verão, ia eu, ao fim do dia, para o Observatório Astronómico de Lisboa, a fim de fazer uma observação astronómica. Ao chegar à zona da Tapada vejo no céu um balão, que parecia ter suspensa uma pequena caixa e descia mais ou menos ao longo do Tejo em direção ao mar. Já no Observatório, com um binóculo, confirmei isso mesmo e ao começar a escurecer tornou-se muito brilhante, em virtude de estar ainda a ser iluminado pelos raios solares. Confirmei junto do Instituto de Meteorologia que deveria ser um balão meteorológico sonda, não deles mas proveniente de Espanha ou de Itália. Às vezes, estalões percorrem grandes distâncias. Ali tive um ovni até pouco depois das 23 horas, com muitos telefonemos, que perturbou o meu trabalho programado.
3.º caso. No dia 4.09. 1957, quatro aviões F-84, da FAP, comandados pelo Cap. Lemos Ferreira, mais tarde General e Chefe do Estado-Maior da FAP, partia da Base Aérea da OTA, em treino de navegação noturna com destino a Córdova, regressando em seguida em direção a Portalegre e depois à OTA. De regresso, os quatro pilotos viram na direção de Cáceres, a norte, uma esfera esquisita, parecendo um corpo celeste anormal. O corpo encontrava-se na frente dos aviões e sensivelmente à mesma altitude, cerca de 8 km. Enquanto opinavam sobre o que devia ser, o corpo reduziu-se repentinamente, voltando pouco depois à dimensão inicial. O fenómeno repetiu-se diversas vezes, durante cerca de 15 minutos. Na zona de Cáceres, ao infletirem na direção de Coruche, começaram a ver o objeto à esquerda com a forma de um dedo ligeiramente encurvado e de cor avermelhada. Depois apareceram mais 4 pontos brilhantes, tomando o aspeto da figura junta, que pareciam ir contra os aviões, o que obrigou a esquadrilha a dispersar-se. Entretanto, os objetos deixaram de ser vistos.
Lemos Ferreira fez o respetivo relatório da ocorrência, mas não foi levado muito a sério. No entanto, ele teve o cuidado de se informar junto do Instituto Geofísico de Coimbra se nessa noite o campo magnético terrestre havia sofrido alterações sensíveis, o que, de fato, foi confirmado. Aqui temos um caso que pode muito convenientemente ser explicado pela geofísica, havendo conhecimento de casos posteriores semelhantes (Julho de 1975 e Setembro de 2001).
quinta-feira, 26 de julho de 2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
A Estrela de Belém
A Estrela de Belém:
mito ou realidade?
Os documentos existentes relativos a Jesus Cristo foram escritos várias décadas após a sua morte. Jesus não foi considerado importante quando em vida; por isso, não dispomos de detalhes precisos da sua vida, nomeadamente do sue nascimento.
As principais fontes de informação não bíblias sobre a Palestina, no tempo de Jesus, devem-se a Flavius Josephus, historiador judeu que escreveu entre os anos 70 e 100 da nossa Era. Numa das suas obras, faz uma breve referência a Jesus na sua fase adulta, mas sem precisar datas ou idades. Também Tacitus, historiador romano, mais ou menos contemporâneo de Flavius, faz uma breve referência a Jesus, mas à sua morte.
Só alguns séculos após a morte de Cristo, é que se pôs a questão de ligar este acontecimento a uma origem de contagem do tempo. A proposta foi apresentada pelo monge cita Dionísio o Exíguo por volta do ano 1282 da Fundação de Roma “ab urbe condita” (532 da nossa Era), no tempo do Papa João I. Dionísio o Exíguo supunha, de acordo com as suas investigações, que Jesus Cristo tinha vindo ao mundo no dia 25 de Dezembro (VIII das calendas de Janeiro) do ano 753 de Roma e fixara nessa data o início da Era cristã. Mas os cronologistas introduziram um atraso de sete dias, de maneira que o início da Era cristã foi transferido para o dia 1 de Janeiro do ano 754 de Roma.
Posteriormente, verificou-se que os cálculos não estavam correctos e que Cristo deveria ter nascido 5 a 7 anos antes da data em que se celebra o seu nascimento. Com efeito, essa data é posterior ao édito do recenseamento do mundo romano (ano 747 de Roma ou mais cedo) e anterior à morte de Herodes (ano 750 de Roma). Mas, para não perturbar a cronologia já estabelecida, foi mantida a data inicialmente proposta, embora tivesse deixado de corresponder ao significado inicial.
Após esta breve introdução, para nos situarmos no tempo, vamos abordar o tema a que nos propusemos. Na Bíblia, as únicas informações que temos encontram-se nos Evangelhos segundo São Mateus (Cap. 2; vers. 1 a 12 e 16) e São Lucas (Cap. 2; vers. 1 a 7), mas sem qualquer referência a datas e apenas no primeiro encontramos referência à Estrela de Belém. Diz São Mateus: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente: onde está o rei dos Judeus que acaba de nascer? ‒ perguntaram. Vimos a sua Estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou preocupado, pois sabia ser pouco amado pelo seu povo e temia que a notícia despertasse um movimento de contestação da parte dos que esperavam pela chegada do Messias. Mandou chamar os magos para obter informações concretas sobre a estrela que lhes havia aparecido e pediu-lhes que o procurassem no regresso e o informassem do local onde se encontrava o menino, pois também ele queria ir adorá-lo. Após estas palavras do rei, os magos puseram-se a caminho e a estrela que tinham visto no Oriente, ia à sua frente e conduziu-os até ao local desejado, o que lhes provocou uma grande alegria. Entrando em casa, viram o menino junto de Maria, sua mãe. Depois de o adorarem, ofereceram-lhe os presentes que traziam: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonhos das más intenções de Herodes, regressaram às suas terras por outro caminho.
O Evangelho de São Lucas apenas faz referência ao édito do recenseamento do mundo romano e à viagem de José e Maria, de Nazaré (Galileia) até Belém (Judeia), bem como às condições em que ocorreu o nascimento de Jesus.
A imaginação popular transformou os magos em reis, que seriam três, por serem três os tipos de presentes e baptizou-os com os nomes de Melchior (rei da Pérsia), Gaspar (rei da Índia) e Baltazar (rei da Arábia).
Mas, afinal, o que teria sido a Estrela de Belém? A primeira explicação foi a de que teria sido um cometa e alguns astrónomos, no século XVI, sugeriram mesmo o nome do cometa de Halley. Mas a aparição deste cometa, mais próxima do nascimento de Cristo, ocorreu no ano 12 a.C. e, portanto, muito longe da data prevista. Não existem referências a outros cometas visíveis a olho nu entre os anos 7 a.C. e o ano 1 da nossa Era, período admissível para o nascimento de Cristo.
Teria sido uma “nova” (estrela velha que repentinamente aumenta intensamente de brilho, em consequência de uma enorme explosão ocorrida no seu interior)? Estas estrelas permanecem visíveis a olho nu durante algumas semanas ou mesmo meses, para depois desaparecerem lentamente. Se fosse uma “nova”, ela teria sido notada por outras pessoas que contemplassem o céu e haveria alguns registos dessa aparição, o que não acontece.
Na hipótese de a Estrela de Belém ser uma realidade, o mais provável é que tenha sido a conjunção de dois ou mais planetas. Com efeito, no ano 7 a.C. houve uma tripla conjunção entre Júpiter e Saturno na constelação dos Peixes. Estes planetas aproximaram-se bastante no céu, mas não o suficiente para serem confundidos como uma estrela única, nos meses de Maio, Setembro e Dezembro. Os que acreditam ver nesta tripla conjunção a Estrela de Belém, argumentam: os magos viram a primeira conjunção e puseram-se a caminho; durante a segunda, chegaram a Jerusalém; e, durante a terceira, chegaram a Belém.
Em Fevereiro do ano 6 a.C. houve igualmente uma grande aproximação (quase conjunção) entre Júpiter, Saturno e Marte, também na constelação dos Peixes. Seria esta aproximação a Estrela de Belém?
Coloca-se também a hipótese de se ter tratado duma aproximação entre Júpiter e Régulo (a estrela mais brilhante da constelação do Leão), ocorrida em Setembro do ano 3 a.C. Esta constelação era considerada a constelação dos reis e também estava associada ao “Leão de Judá”. Seria este o sinal que levou os magos a iniciarem a viagem? Em Outubro do mesmo ano, houve uma conjunção entre Júpiter e Vénus, também na constelação do Leão. Em Fevereiro e Maio do ano seguinte, aconteceram igualmente duas conjunções entre Júpiter e Régulo e ainda em Junho temos mais uma conjunção, agora entre Júpiter e Vénus.
São estes os fenómenos astronómicos conhecidos que ocorreram durante o período do provável nascimento de Jesus Cristo. Alguns historiadores defendem actualmente que Herodes teria morrido não no ano 750 de Roma, mas sim no ano anterior, o que encurta o intervalo das dúvidas acerca do nascimento de Cristo. Também, pelas descrições feitas no Evangelho segundo São Lucas, acerca dos pastores que pernoitavam nos campos junto dos seus rebanhos, enquanto estes pastoreavam, não é crível que Cristo tenha nascido em fins de Dezembro, visto nessa época do ano estar muito frio, durante a noite, naquela região e escassearem as pastagens. É mais provável que o nascimento tenha ocorrido numa época mais amena. Aliás, durante os primeiros séculos do cristianismo, o nascimento de Jesus foi celebrado em diversas épocas, nomeadamente na Primavera. Só após os estudos de Dionísio o Exíguo é que se optou pelo dia 25 de Dezembro. Este dia deveria ter sido escolhido para coincidir com uma festa pagã que se celebrava, nessa data, no mundo romano.
Quanto à Estrela de Belém, era crença no mundo antigo associar o nascimento de um grande pensador ao aparacimento de uma estrela brilhante. Aconteceu isso com Buda, Confúcio, Sócrates, etc., e que os magos acorriam imediatamente a homenageá-lo, a adorá-lo, levando-lhe igualmente presentes. Esta é a realidade dos factos. Como surgiu a descrição apresentada no Evangelho segundo São Mateus, atrás referenciada? Não sabemos …
domingo, 1 de maio de 2011
A data da Páscoa no Cristianismo
A data da Páscoa no Cristianismo
Nota: Antes de entrarmos propriamente no tema que nos propomos abordar, convém esclarecer o seguinte: a) O Calendário Judaico é um calendário lunar: os meses começam com o aparecimento do crescente lunar, após a Lua nova e terminam no fim da lunação; b) Os dias têm início ao pôr-do-sol e terminam ao pôr-do-sol do dia seguinte: são assim antecipados em cerca de 6 horas em relação ao que se passa no nosso calendário.
O nome Páscoa deriva da palavra hebraica pessach (passagem) que, para os hebreus, significa o cativeiro e a libertação do povo judeu, até então prisioneiro dos faraós egípcios. De acordo com a tradição, a primeira Páscoa ocorreu há cerca ded 3600 anos, quando, segundo a Torá, Deus enviou as dez Pragas sobre o povo do Egipto. Antes da décima Praga, o profeta Moisés recebeu instruções para que cada família hebraica sacrificasse um cordeiro e pintasse os umbrais das portas com o sangue do cordeiro, para que não fossem acometidos pela morte os seus primogénitos.
Chegada a noite, os hebreus comeram a carne do cordeiro, acompanhada de pão ázimo e ervas amargas. Por volta da meia-moite, um anjo enviado por Deus feriu de morte todos os primogénitos egípcios, incluindo os familiares do Faraó. Este, temendo a ira divina, aceitou a libertação do povo de Israel, o que o levou ao Êxodo. Como recordação da sua libertação, o povo de Israel instituiu para todo o sempre o sacrifício da Páscoa. A data escolhida foi o dia de Lua Cheia que ocorra imediatamente a seguir ao equinócio da primavera.
A Páscoa judaica tem, pois, início no dia 14 de Nisan, com a imolação do cordeiro pascal. Nessa mesma noite (mas já 15 de Nisan, no calendário judaico), os fiéis participam nas festividades rituais e comem o cordeiro pascal. A Páscoa era adiada de um dia se o 14 de Nisan fosse uma sexta-feira, par evitar dois dias consecutivos de festa.
A Igreja recorda-nos que Jesus celebrou três Páscoas. Na quarta, vésperas da sua morte, instituiu a Eucaristia e esta última Ceia teve lugar numa quinta-feira à noite (15 de Nisan). A ressurreição ao terceiro dia situa-se, portanto, no domingo, 17 de Nisan. Assim aparece a terceira complicação da Páscoa cristã: os cristãos quiseram que ela fosse celebrada no domingo a seguir à Lua Cheia da primavera.
Sabemos que os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo ocorreram quando Pôncio Pilatos era Governador da Judeia, o que ocorreu, segundo os registos romanos, entre os anos 779 e 789 da Fundação de Roma (anos 26 a 36 da nossa Era). Mas existem dúvidas quanto à data exacta: uns alvitram o ano 782, outros optam pelo ano 786).
A astronomia permite resolver esta dúvida. Se a Ceia teve lugar numa quinta-feira, a ambiguidade desapare. Sabemos que no ano 782 de Roma, a Lua nova que se seguiu ao equinócio da primavera teve lugar no dia 3 de Abril; portanto, o mês de Nisan começou com o crescente lunar no dia 4 ou 5 de Abril; o 14 de Nisan correspondeu ao dia 17 de Abril, que foi um domingo, ou ao dia 18 de Abril, que foi uma segunda-feira. O ano 782 está excluído.
No ano 786, a Lua nova do equinócio da primavera teve lugar no dia 19 de Março cerca do meio-dia, hora de Jerusalém. O dia 1 de Nisan deveria ter ocorrido a 20 ou 21 de Março; o dia 14 de Nisan teve lugar ao pôr-do-sol do dia 2 ou 3 de Abril; a cronologia indica-nos que o dia 2 de Abril foi uma quinta-feira e, portanto, o dia da ressurreição, um domingo, caiu no dia 5 de Abril. O verdadeiro aniversário da ressurreição de Cristo será, portanto o dia 5 de Abril. Se um dia se quiser estabilizar a data da Páscoa, este parece ser o dia indicado. Jesus Cristo deveria ter então cerca de 40 anos, pois o seu nascimento deveria ter ocorrido 5 an7 anos, antes da data oficialmente adoptada.
A celebração da Páscoa nas Igrejas cristãs deu inicialmente lugar a imensas confusões: uns escolheram o dia 17 de Nisan, qualquer que fosse o dia da semana; outros, o primeiro domingo depois do dia 17 de Nisan; outros ainda, para poupar os Judeus convertidos, conservaram o costume de celebrar a data da Páscoa no dia antigo da Páscoa judaica, o 14 de Nisan; os mais numerosos, entre os quais se incluía o Papa, optaram por celebrar a solenidade no domingo que seguia ao décimo quarto dia da Lua de Nisan.
Depois de três séculos de conflitos, o Concílio de Niceia, no ano 325, estabeleceu a regra que ainda hoje se aplica:
A Páscoa celebra-se no domingo que se segue ao décimo quarto dia da Lua que atinge esta idade no dia 21 de Março ou imediatamente a seguir.
Trata-se duma Lua convencional do calendário eclesiástico. Notemos que o décimo quarto dia nem sempre coincide com a Lua Cheia.
De acordo com esta regra, a Páscoa pode oscilar entre o dia 22 de Março e o dia 25 de Abril. Com efeito, se a Lua atingir os seus 14 dias em 21 de Março, esta é a Lua pascal; se o dia seguinte for um domingo, é dia de Páscoa. Pelo contrário, se a Lua atingir o seu décimo quarto dia em 20 de Março, já não é a Lua pascal: é preciso esperar pela seguinte e pelo seu décimo quarto dia, que ocorrerá em 18 de Abril. Se este dia for um domingo, é necessário esperar mais uma semana e a Páscoa só será celebrada no dia 25 de Abril. Os inconvenientes civis e religiosos desta perpétua oscilação são bastante grandes.
As datas extremas raramente têm sido alcançadas. Assim, a Páscoa teve lugar no dia 22 de Março em 1598, 1693, 1761, 1818 e voltará a ocorrer em 2285; coincidiu com o dia 25 de Abril nos anos 1666, 1734, 1886, 1943 e voltará a coincidir em 2038 e em 2190.
Quando a Igreja adoptou a regra para fixar a data da Páscoa não se conheciam com exactidão os movimentos aparentes do Sol e da Lua. A data da Lua cheia pascal continua a ser calculada com os conhecimentos de então, resultando algumas discrepâncias, quando comparamos com os valores actualmente obtidos para a data da Lua cheia astronómica. Assim, no ano de 1798, a Páscoa deveria ter sido celebrada no dia 1 de Abril, se se tivesse seguido o movimento real da Lua, mas celebrou-se no domingo seguinte. Em 1818, o dia de Páscoa deveria ter ocorrido no dia 29 de Março se tivéssemos utilizado a Lua cheia astronómica, mas teve lugar no dia 22 de Março.
É a partir da data da Páscoa que dependem, para os católicos, todas as festas móveis: Septuagésima, 63 dias antes; Domingo Gordo, 49 dias antes; Cinzas, 46 dias antes; Ramos, 7 dias antes; Ascensão, 39 dias depois; Pentecostes, 49 dias depois; Santíssima Trindade, 56 dias depois; Corpo de Deus, 60 dias depois; Coração de Jesus, 68 dias depois.
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